Escolhas

Se me pedissem para eleger a melhor canção de sempre eu hesitaria entre três baladas, todas elas que me despertaram paixão à primeira vista, paixão esta que se mantem ao longo dos anos. São elas, por ordem da sua data de composição, “My funny Valentine”, “Bridge over troubled water” e “El breve espacio en que no estás”.
Por ser esta última a menos conhecida e portanto a mais inesperada, aqui fica, para que possam comprovar a minha razão, esta interpretação pelo seu autor, o genial compositor e intérprete cubano Pablo Milanés.
■ Aqui um jovem músico, gravando em multipistas, canta (muito bem) um belíssimo arranjo vocal de uma canção de Natal. A canção é muito simples mas o excelente arranjo, que não é deste Jean-Baptiste Craipeau, transforma-a numa obra notável. Quem é o autor desta partitura? É Mervyn Warren, que trabalhou com os fabulosos Take 6, com Quincy Jones, etc. Isto é a escola americana de escrita para coro ao seu maior nível.
■ Há coisas que, por vezes, nos levam a repensar ideias que tínhamos sobre povos ou países que, apesar da globalização, ainda nos surgem como pertencentes a um mundo distante, estranho, que não é o nosso. O Azerbaijão será para muitos uma região que pertenceu à União Soviética, que produz petróleo, e pronto.
Pois então prestem atenção a esta pianista/compositora/cantora desse país cuja capital, Baku, eu visitei vai para 30 anos, que dá pelo nome de Aziza Mustafa Zadeh, da qual tenho dois discos que me encantam desde há muito tempo.
■ Desde a sua fundação que sou fã do TGB, o trio português de Tuba Guitarra e Bateria. O seu jazz funky é original, de grande qualidade, divertido, inesperado. Desde logo pela formação pouco habitual (não a conheço em outro caso). Tanto o Mário Delgado como o Alexandre Frazão foram muitas vezes meus colegas de trabalho. Sempre os conheci como músicos excelentes e insatisfeitos, ou seja, em permanente progressão.
Este Lilli’s Funk Theme é um dos meus favoritos.
Leila Pinheiro é uma cantora Brasileira que nunca atraiu particularmente a minha atenção. Nunca… até que lhe conheci esta interpretação de uma belíssima cancão – Catavento e Girassol. Com excelentes músicos, um arranjo simples mas qb, relembrando os tempos primeiros da bossa nova, é daquelas coisas que vale a pena.
■ Diferentemente de Glenn Gould, a quem me refiro mais abaixo, Busoni trouxe para o piano a música escrita por Bach para cravo, não só com a migração de instrumento mas também adaptando a escrita, trabalho que aliás fez com grande rigor.
A pianista francesa Hélène Grimaud, que para além de ser uma excelente intérprete não é, fisicamente, nada de se deitar fora, toca esta lindíssima Chacone com um romantismo inesperado, usando mesmo o pedal com um à-vontade quase chocante.
É mais uma pedra no imponente legado que nos deixou o grande génio alemão.
■ Esta é uma gracinha. Música e letra de minha autoria, publicada no ano quente de 1975 com o PREC a ferver, é interpretada pelo Grupo Outubro, que eu formei com o Carlos Moniz, o Alfredo Vieira de Sousa, a Maria do Amparo e a Madalena Leal. Infelizmente a canção está tão actual como na altura em que foi feita.
■ Os Gentle Giant foram o melhor grupo de rock progressivo dos anos 70 e, para mim, de sempre. Nunca ocuparam as primeiras páginas e não venderam milhões. Duraram exactamente 10 anos e deixaram 12 albuns que são 12 obras-primas.
Esta composição – numa versão bastante melhor – integra um DVD (não sei se será o único que se encontra no mercado) que um dos meus filhos descobriu há tempos na FNAC e comprou para me oferecer.
Escusam de lá ir porque parece que era exemplar único.
Glenn Gould reinventou Bach mostrando que o genial compositor ainda o era mais do que até então se pensava.
As Variações Goldberg tocadas por Gould são o disco que eu mais vezes ouvi ao longo dos anos.
Também oiço (e vejo) repetidamente o DVD sobre a gravação das VG. Este extracto que aqui se apresenta, com o som comprimido no deficiente mp3, só serve para abrir o apetite a quem não o conhecer. Bach nunca caberá num mp3, mas até assim dá prazer.
■ A música humorística, pouco conhecida entre nós, tem grande tradição em países como os Estados Unidos ou a França. O primeiro músico que recordo como humorista é Spike Jones, cujas gravações animavam reuniões em minha casa com os meus colegas de liceu.
Ouvi pela primeira vez o quarteto de cordas “Le Quator” há mais de 20 anos no Instituto Franco-Português, numa noite inesperadamente divertida, porque eram na altura uns ilustres desconhecidos. Voltei a ouvi-los há uns meses em Paris e continuam com um espectáculo fabuloso.
P.D.Q. Bach é outro dos meus preferidos. Tenho seis CDs dele (grande músico!) que têm feito as delícias de muitas soirées no meu estúdio.
E aqui vai a sugestão de outro craque do humor musical. Victor Borge, um excelente pianista do qual esta Rapsódia Húngara é um ‘must’.
■ Em meios profissionais ligados à música tornou-se ‘in’ dizer mal de Celine Dion. Que grita muito, que é cantora de Las Vegas, que já não há pachorra…
Neste assunto eu estou ‘out’. Acho que ela é uma excelente cantora, de grande musicalidade, uma voz soberba e capaz das mais variadas nuances. Tem feito algumas coisas de mau gosto mas, é inevitável, quando se chega aquele nível profissional a pressão dos grandes produtores, que são o que de pior tem o mundo da música, é muito difícil de contornar.
Para defender a minha opinião, este diálogo entre Celine e um Frank Sinatra virtual é, sem dúvida, um argumento de peso.
■ Há uns anos atrás, sentado diante da televisão, liguei para o Mezzo, o canal pelo qual costumo iniciar os meus ‘zappings’. Fui surpreendido por um negro que, sozinho num palco, acompanhanhando-se com uma viola-baixo, cantava uma balada lindíssima numa língua visivelmente africana. Fiquei emocionado com a beleza dos minutos que se seguiram até a programação remover aquele músico extraordinário do meu ecrã. Na ficha técnica final apareceu o nome – Richard Bona! Corri à internet para procurar informações e fiquei a saber que é um músico originário dos Camarões, com um curriculum invejável, que se move entre o jazz a fusão e a world-music. Desde então tenho comprado tudo que apanho à mão em que ele participa.
Este dueto que fez com o genial Bobby Mcferrin é, como diz o meu amigo Manuel Freire, uma daquelas coisas que nos reconcilia com o mundo.
■ Tenho uma certa saudade das grandes bandas de fusão que povoaram os anos 80 e 90. Não estou certo das razões que levaram ao seu quase total desaparecimento mas creio que a forte deterioração do main stream terá uma grande responsabilidade no caso. Os média, como é unanimemente reconhecido, baixaram drasticamente de qualidade e arrastaram muita coisa no seu alinhamento por baixo. O gosto do grande público desceu a fasquia e o espaço para grupos como os Brecker Brothers encolheu.
É bom recordá-los neste espectacular Some Skunk Funk ao vivo em Barcelona, salvo erro em 1993.

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